Sobre a Freguesia Imprimir

A 12Km da sede de concelho de Vila Nova de Famalicão, delimitada geográficamente pelos Montes de São Miguel e da Cerqueda, encontramos a freguesia de Delães.

Esta belíssima terra está situada numa fértil planície com 230 hectares. Tem como fronteiras o Rio Ave, a freguesia de Bairro, de São Simão de Novais, da Carreira assim como de Ruivães e de Oliveira de São Mateus.

AS ORIGENS

Delães é uma freguesia do Minho da comarca e concelho de Vila Nova de Famalicão, distrito e arquidiocese de Braga. Mas, nem sempre pertenceu à comarca de Vila Nova de Famalicão. Em 1839 aparece na comarca de Barcelos e só em 1852 insere-se na de Vila Nova de Famalicão.

 

Da sua toponímia diz-se que no princípio da fundação da freguesia, o povo teria denominado esta região por «Divino Salvador Dallém D Ave», que depois se teria chamado «Dallém D Ave», mais tarde «Dalléns» e hoje Delães. Só a partir do Século XIII é que aparece em documentos escrita e sob diversas variantes da actual designação: «Alães», «Dailanes», «Dalões», «Deelãees», «Deelaes», «Elaes», «Delaens» e «Delains». Nas inquirições de 1220 era citada com o nome de «Sancto Salvatores de Elaes» e também nas de 1258, então denominada «Sancti Salvatoris de Deelaes».

 

Esta freguesia tem fortes tradições históricas, relacionadas com os primeiros séculos da nacionalidade. Mas o povoamento de Delães é muito anterior. A Freguesia assistiu à chegada dos primeiros povos, que não praticavam a agricultura e apenas se dedicavam á recolecção de plantas e frutos.

 

A cultura castreja também teve forte implantação em Delães. Uma população pobre que habitava em toscas casas, construídas em pedra e cobertas de colmo ou ramos de árvores, dedicava-se à pastorícia e a uma agricultura incipiente.

 

Segundo Pinho Leal(1), houve aqui, em tempos remotos um convento de freiras beneditinas de que hoje não há sinais, assim como no alto do monte há vestígios da existência de uma cidade, cujo nome se ignora, e que foi arrasada com as guerras da Idade Média.

 

O Padre António Carvalho da Costa, na «Coreografia Portuguesa» de 1706, dizia que: «S. Salvador de Delães, Abbadia da Mitra, rende cento e cincoenta mil reis, tem cincoenta vifinhos(2). Efteve efta Igreja no alto de S. Miguel do Monte, e he tradição que nos tempos paffados fora Cidade (ao menos devia ter fortificação pelo que nos moftrão os veftigios)...».

 

Assim é dada notícia de uma cidade que ocupou a zona em que hoje se situa Delães. Nesta data (1706) ainda eram visíveis os vestígios e as muralhas no alto de S. Miguel. Pensa-se que esta cidade devia estender-se pelo Monte de S. Miguel (tem a sua origem em Ruivães e vai até Mogege) onde há a certeza de ter estado a fortaleza e de onde foi removida a igreja paroquial de «S. Salvador de Delaens».

 

Aquele último autor, refere ainda a existência de um Solar dos Novaes, familia que procedia de D. Pedro de Novaes, o Velho, um fidalgo galego pobre. Vindo a Portugal para tentar enriquecer, acabou cativo dos mouros, que o levaram para África. Resgatou a sua libertação graças ao dinheiro emprestado por «alfaqueques» (emissários encarregues de resgatar cativos ou de propor a paz entre facções desavindas). Chegado à Península Ibérica, D. Pedro de Novaes viveu de esmolas, até conseguir pagar a sua libertação. Juntou tanto dinheiro que se fez negociante de trigo e enriqueceu com tal comércio. Foi tal a importância que atingiu, que durante o reinado de D. Sancho II (1223-1247), foi nomeado Alcaide-Mor de Vila Nova de Cerveira. Deste D. Pedro de Novaes descendem muitas famílias nobres, vivendo a maior parte delas em Guimarães. As suas armas são: em campo azul cinco novelos de prata postos em santos; timbre em aspa azul entre dois novelos com o escudo.

 

Em 1551, Delães - então chamada de «Abes Sam Salvador» - estava anexa a São Miguel do Monte, pertencia ao termo de Barcelos e era sua donatária a Casa de Bragança.

  

«DICIONÁRIO GEOGRÁFICO DO REINO DE PORTUGAL» DO PADRE LUIS CARDOSO

Em resposta ao Inquérito de 1758, enviado aos párocos por ordem do Marquês de Pombal e cujos dados o padre Luís Cardoso usou para compôr o «Dicionário Geográfico do Reino de Portugal», Delães aparece assim retratado: «freguesia do Salvador de Delains está situada na província de Entre Douro e Minho, pertencente ao arcebispado de Braga, comarca de Viana e termo de Barcelos. Tem 71 fogos e 276 pessoas. Está situada numa planície entre o Monte de S. Miguel e o da Serqueda, de onde se descobre Guimarães para as partes nascentes e poente, o convento de Santo Tirso, dos monges de S. Bento, e também para a mesma parte, o convento de Landim dos Clérigos Regulares de Santo Agostinho.

  

A freguesia tem sete lugares, são eles: Loureiro, Delains, Regengo, Pennas, Parellos, Montenegro e Piqua. Existindo ainda quatro casais: Pennavilla, Figueiras, Gavim e Corredoura. O orago (padroeiro) da freguesia é o Salvador. A igreja desta freguesia está situada no seu centro no meio do Lugar do Loureiro, tem 3 altares e uma só confraria. O altar principal é o do Salvador existindo ainda o de Nossa Senhora da Purificação(3) e o terceiro de S. Sebastião. A confraria é a de Nossa Senhora da Purificação. Existem quatro capelas: a de S. Miguel de Archanjo, a de Santa Maria de Perrelos, a de Nossa Senhora do Amparo e a de Santo António. A Capela de S. Miguel Archanjo foi antigamente a Igreja Matriz mas por esta estar no alto do Monte de São Miguel distante dos moradores (paroquianos) e o caminho ser íngreme, uniu-se à do Salvador que agora é matriz, ficando sujeitos os moradores a um só pároco responsável pela veneração e cuidados com a capela. A Capela de Santa Maria de Perrelos, foi segundo a tradição convento de freiras e hoje é «administrada» pelos religiosos de S. Vicente de Fora, da cidade de Lisboa. A Santa é muito venerada pelos fiéis que a ela recorrem com preces principalmente a pedirem saúde. Para alcançarem as graças retiram terra debaixo do seu altar e trazem-na em saquinhos ao pescoço até obterem o que pediram, depois voltam a pôr a terra debaixo do altar. Esta capela está situada entre o lugar de Perrelos e o de Penas. A Capela da Senhora do Amparo está situada na Quinta da Penavila cujo administrador é Francisco Pereira Lobo, dono da mesma Quinta.

 

«MINHO PITORESCO» DE JOSÉ AUGUSTO VIEIRA.

Datado de 1887, refere que a freguesia de S. Mateus de Oliveira está anexada a Delães. Como confirmação refere que todas as Quintas-feiras há mercado em Delães e que no lugar da feira está a capela de Santa Ana e S. José.

Nesta altura a freguesia era composta pelos seguintes lugares: Cerqueda Corredoura, Delães de Baixo, Figueiras, Gavim, Loureiro, Montenegro, Paraíso, Penna Vella, Penas, Penedo, Perrelos, Pica, Portela, Reguengo e Santa Ana.

Estes dados indicam por si, a existência da anexação. Para a confirmar, os Censos de 1890 e 1900 referem também S. Mateus de Oliveira como estando anexa a Delães. Nos censos de 1911 as duas freguesias já surgem separadas.

 

«ARTE SACRA EXISTENTE NO CONCELHO» DE VAZ DE CARVALHO.

Em 1955, Vaz de Carvalho refere as imagens existentes na antiga igreja de Delães, as alminhas e as capelas existentes nesta data. Nesta altura era pároco o Padre Francisco Alves Pimenta. Assim, existem registos de quatro capelas e três Alminhas. A Capela de S. Miguel-o-Anjo, que existiu em tempos passados reatando actualmente os alicerces e projectos para a sua reconstrução, as Capelas de Santo António, uma no lugar de Penavila e outra no lugar de Delães de Baixo e a capela Privativa. As Alminhas são as do Purgatório, uma no lugar de Salgueirinhos e outra no do Loureiro e a do Nicho do Senhor dos Aflitos, na esquina da estrada junto ao largo.

  

CRONOLOGIA DE SERVIÇOS E ASSOCIAÇÕES

 

1883 - Existia já nesta data escola oficial e uma comissão que lhe prestava auxílio composta pelo pároco Manuel António de Vasconcelos e Joaquim da Costa Rodrigues.

 

1936 - Aparece a referência à existência do «Clube Teatro Recreativo de Delães». Este Clube possuía um cinema-clube que apresentava sessões de cinema aos Domingos para além de promover festas e chás dançantes com a presença de orquestra. Nesta data, são membros da direcção do Clube, António Ramalho Júnior e Policarpo Salgado Othéro.

 

1946 - Inauguração do Posto Telefone-Postal.

 

1956 - São postos em liquidação os haveres do Grupo Cénico «Luz e Alegria» ficando Delães sem o grupo de teatro.

 

1957 - Começa a construção do Sindicato da Indústria Têxtil.

 

1958 - Foi organizado em Delães o «Grupo Bem Fazer» que se dedica a trabalhar em favor dos mais desprotegidos. A apresentação deste grupo teve lugar em Abril, deste mesmo ano, no Sindicato e esteve a cargo de Joaquim Ferreira da Silva.